{"id":6063,"date":"2021-10-26T13:06:32","date_gmt":"2021-10-26T11:06:32","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=6063"},"modified":"2021-10-26T13:07:03","modified_gmt":"2021-10-26T11:07:03","slug":"joao-8-31-36-dia-da-reforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/joao-8-31-36-dia-da-reforma\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o 8.31-36"},"content":{"rendered":"<h3>PR\u00c9DICA PARA O DIA DA REFORMA \u2013 31 de outubro de 2021 | Jo\u00e3o 8.31-36 | Gottfried Brakemeier |<\/h3>\n<p>Prezada comunidade!<\/p>\n<p>O dia da Reforma \u00e9 um dia dif\u00edcil. A comunidade luterana celebra neste dia o in\u00edcio daquele movimento que, a quinhentos anos atr\u00e1s, deu uma guinada diferente no rumo da Igreja de Cristo. Lutero e seus companheiros de luta inauguraram uma profunda revis\u00e3o no modo de ser da Igreja de seu tempo. Mas de imediato somos questionados. J\u00e1 n\u00e3o se fala no \u201cdia da Reforma\u201d e, sim, no \u201cdia das bruxas e dos bruxos\u201d. O modelo \u00e9 o que nos Estados Unidos se chama \u201challoween\u201d. Parece ser mais bonito reverenciar bruxas e bruxos do que ocupar-se com a heran\u00e7a dos reformadores. S\u00f3 que bruxos n\u00e3o mudam nada no curso da hist\u00f3ria. Servem antes para a \u201cfarra\u201d do que para a avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da realidade. \u00c9 prefer\u00edvel, pois, permanecer com a designa\u00e7\u00e3o \u201cdia da Reforma\u201d. Como luteranos n\u00e3o podemos concordar com que bruxas e bruxos nos roubem este dia comemorativo.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m por parte da Igreja Cat\u00f3lica prov\u00e9m questionamentos. A Reforma tem sido um processo pol\u00eamico, at\u00e9 mesmo traum\u00e1tico para a Igreja da \u00e9poca. Lutero acabou condenado, excomungado, um ju\u00edzo, ali\u00e1s, que at\u00e9 hoje n\u00e3o foi revogado. N\u00e3o foi que a Reforma rachou a Igreja e conduziu a deplor\u00e1veis guerras religiosas? Para tanto Lutero e os demais reformadores est\u00e3o sendo responsabilizados. Por isto, assim se diz, seria inadequado celebrar a lembran\u00e7a deste conflito em termos de um \u201cjubileu\u201d. A Reforma n\u00e3o teria nada de \u201cjubiloso\u201d. At\u00e9 hoje ela \u00e9 sentida por muitos cat\u00f3licos como agress\u00e3o. Porventura, ser\u00e1 o dia da Reforma um dia \u201canticat\u00f3lico\u201d?<\/p>\n<p>Ora, entrementes j\u00e1 n\u00e3o mais se pensa assim. O esfor\u00e7o ecum\u00eanico mudou tamb\u00e9m a imagem da Reforma. Fato \u00e9 que ela n\u00e3o s\u00f3 deu origem a igrejas declaradamente \u201cluteranas\u201d, respectivamente \u201cprotestantes\u201d, como teve tamb\u00e9m efeitos reformadores na pr\u00f3pria Igreja Cat\u00f3lica. Ao desafio luterano a Igreja de Roma n\u00e3o podia deixar de reagir e proceder por sua vez a reformas internas. Marcos importantes nesta caminhada s\u00e3o o Conc\u00edlio de Trento no s\u00e9culo 16 e o Segundo Conc\u00edlio Vaticano no s\u00e9culo 20. De qualquer maneira, a Igreja Cat\u00f3lica hoje j\u00e1 n\u00e3o mais \u00e9 a mesma como h\u00e1 quinhentos anos atr\u00e1s. Algo semelhante vale para as igrejas protestantes. Nenhuma igreja comprometida com o evangelho pode ficar parada no tempo. N\u00f3s nos alegramos por uma significativa aproxima\u00e7\u00e3o das Igrejas em passado e presente que permite celebrar o dia da Reforma juntos.<\/p>\n<p>E \u00e9 exatamente assim que este dia pode desenvolver toda sua din\u00e2mica. Pois ele \u00e9 oportunidade para auscultar novamente o evangelho, assim como Lutero o quis e todos os movimentos reformadores desde ent\u00e3o. Para tanto \u00e9 sugerido para reflex\u00e3o e prega\u00e7\u00e3o um texto do evangelho de Jo\u00e3o, a saber cap. 8,31-36. Ou\u00e7amos o que o evangelista escreve:<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Jesus promete liberdade a seus disc\u00edpulos. Trata-se de um dos eminentes dons do evangelho. Isto se eles se comprometerem com a verdade. Foi o que a Reforma fez: Libertou o povo crist\u00e3o de indevida tutela religiosa. Com alguma raz\u00e3o pode-se entender a Reforma desencadeada por Lutero como um grande movimento libertador. Desobrigou o clero a se submeter \u00e0 lei do celibato, libertou o povo do medo do purgat\u00f3rio, acabou com a amea\u00e7a de castigos infernais para pecados mais ou menos leves. De um modo geral deve-se constatar que a Reforma emancipou o povo crist\u00e3o da depend\u00eancia da Igreja. Sem ela, assim se dizia, n\u00e3o poderia haver salva\u00e7\u00e3o. Pois ela administrava os sacramentos, indispens\u00e1veis para herdar a vida eterna. Ai de quem a Igreja exclu\u00eda do sacramento. Estaria no caminho certo da perdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o que Lutero questionou. N\u00e3o \u00e9 a Igreja que salva, nem mesmo o sacramento tem este poder. Seja o batismo, a eucaristia, a penit\u00eancia, tudo isto \u00e9 extremamente importante, mas n\u00e3o decisivo. Pois o ser humano \u00e9 salvo por gra\u00e7a e por f\u00e9. N\u00e3o s\u00e3o as obras que salvam o ser humano, nem receita m\u00e1gica capaz de ser manipulada pelo clero, e, sim, unicamente a miseric\u00f3rdia divina. Entre os numerosos comprovantes b\u00edblicos eu me limito a citar uma \u00fanica passagem: Na carta do ap\u00f3stolo Paulo aos Ef\u00e9sios, cap. 2.5 diz: \u201c&#8230; pela gra\u00e7a voc\u00eas s\u00e3o salvos\u201d. E \u00e9 essa a linha mestra de todo o Novo Testamento. O testemunho crist\u00e3o exalta o milagre da gra\u00e7a de Deus. N\u00e3o existe outro jeito de conseguir o agrado de Deus a n\u00e3o ser a pr\u00f3pria bondade daquele a quem invocamos como \u201cPai Nosso\u201d. \u00c9 esta a \u201cverdade\u201d que liberta e da qual fala o evangelista Jo\u00e3o. N\u00e3o podemos salvar-nos por pr\u00f3pria raz\u00e3o ou for\u00e7a, respectivamente pelo nosso esfor\u00e7o moral. Dependemos da a\u00e7\u00e3o graciosa de Deus.<\/p>\n<p>Mesmo assim, engana-se quem acha n\u00e3o haver nenhuma condi\u00e7\u00e3o a cumprir. Pois a gra\u00e7a de Deus deve ser acolhida pela f\u00e9. \u00c9 esta a outra \u00eanfase do Novo Testamento. Novamente cito uma s\u00f3 passagem b\u00edblica. Na carta aos romanos o ap\u00f3stolo Paulo afirma: \u201cConclu\u00edmos, pois, que o ser humano \u00e9 justificado pela f\u00e9, independentemente das obras da lei\u201d (cap. 3.28). Al\u00e9m das \u201cobras da lei\u201d ele poderia ter mencionado tamb\u00e9m as obras sacramentais, manejadas pela Igreja. O que importa mesmo \u00e9 a f\u00e9 das pessoas. E esta \u00e9 em tudo o contr\u00e1rio de uma obra merit\u00f3ria. \u00c9 bom n\u00e3o confundir. Pois quem cr\u00ea, confia. S\u00f3 isto! N\u00e3o se trata de uma obra de que o ser humano possa gloriar-se. F\u00e9 \u00e9 a atitude de quem espera receber. Assim aconteceu no caso das pessoas que se dirigiram a Jesus. Queriam ajuda. Assim acontece sempre que nos dirigimos em ora\u00e7\u00e3o a Deus e trazemos diante dele nossas preces. N\u00f3s o fazemos na esperan\u00e7a de que ele nos estenda a m\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isto mesmo a atitude mais condizente com a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 a vangl\u00f3ria e, sim, a gratid\u00e3o. N\u00f3s agradecemos a Deus por ter despertado a f\u00e9 em n\u00f3s. N\u00f3s lhe agradecemos pelos tantos outros benef\u00edcios que dele recebemos. N\u00e3o por \u00faltimo, pela possibilidade de podermos confiar nele integralmente. Exemplo especialmente instrutivo \u00e9 o do samaritano que, vendo-se curado da lepra, voltou, glorificando a Deus e, em gesto de gratid\u00e3o, se prostrou aos p\u00e9s de Jesus (Lc 17,11-19). Este homem viu seu anseio atendido pela f\u00e9 que depositou em Jesus. Foi a verdade que o libertou. No mais \u00e9 importante, sublinhar que o que se pretende, \u00e9 uma f\u00e9 consciente, n\u00e3o imposta, n\u00e3o &nbsp;for\u00e7ada, n\u00e3o subalterna. A Reforma promoveu a f\u00e9 responsabilizada pelo pr\u00f3prio crente. Tamb\u00e9m neste sentido a Reforma tem sido um grande movimento libertador. Doravante n\u00e3o seria suficiente dizer que cremos porque outros creem, respectivamente porque a Igreja assim o diz. Lutero traduziu a B\u00edblia para munir o povo com o conhecimento sobre as fontes da f\u00e9. Ele quer que as pessoas estejam em condi\u00e7\u00f5es de dizer: N\u00f3s cremos, e n\u00f3s sabemos por qu\u00ea. Ent\u00e3o, se voc\u00ea quiser conhecer as bases da f\u00e9, leia a B\u00edblia. Ali voc\u00ea vai encontrar o registro da verdade que liberta.<\/p>\n<p>Seria tr\u00e1gico, ali\u00e1s, se transform\u00e1ssemos o dia da Reforma em dia \u201cantijudaico\u201d. Est\u00e1 a\u00ed mais outra dificuldade deste dia. De acordo com o evangelista Jo\u00e3o os parceiros de Jesus, todos eles judeus, alegam n\u00e3o ter necessidade de liberta\u00e7\u00e3o por terem por pai Abra\u00e3o. Trata-se de um grande engano. O patriarca n\u00e3o pode garantir liberdade. Exige-se a f\u00e9, nada mais e nada menos. \u00c0 parte dela n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de liberdade, nem mesmo de salva\u00e7\u00e3o. &nbsp;Ent\u00e3o, ser judeu n\u00e3o \u00e9 nenhum privil\u00e9gio. Outros pretensos &nbsp;privil\u00e9gios igualmente passam a ser irrelevantes. O ser humano \u00e9 justificado \u201csola gratia\u201d e \u201csola fide\u201d, ou seja, somente por gra\u00e7a e somente pela f\u00e9. Tamb\u00e9m com respeito a isso existe aproxima\u00e7\u00e3o pelo menos parcial entre as comunidades, a luterana e a israelita. O evangelho n\u00e3o legitima atitude antissemita de qualquer esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Com esses cuidados n\u00e3o h\u00e1 o que impedisse a celebra\u00e7\u00e3o \u201cjubilosa\u201d do dia da Reforma. Agradecemos pela palavra de Deus que sempre de novo chama a sua Igreja de volta para o caminho da verdade. Que Deus nos aben\u00e7oe este dia e promova a divulga\u00e7\u00e3o da verdade que liberta.<\/p>\n<p>Am\u00e9m<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>P. Dr. Gottfried Brakemeier<\/p>\n<p>Nova Petr\u00f3polis \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/p>\n<p>brakemeier@terra.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA O DIA DA REFORMA \u2013 31 de outubro de 2021 | Jo\u00e3o 8.31-36 | Gottfried Brakemeier | Prezada comunidade! O dia da Reforma \u00e9 um dia dif\u00edcil. A comunidade luterana celebra neste dia o in\u00edcio daquele movimento que, a quinhentos anos atr\u00e1s, deu uma guinada diferente no rumo da Igreja de Cristo. 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