{"id":6385,"date":"2021-12-09T11:43:45","date_gmt":"2021-12-09T10:43:45","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=6385"},"modified":"2021-12-10T13:55:07","modified_gmt":"2021-12-10T12:55:07","slug":"lucas-3-7-18","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/lucas-3-7-18\/","title":{"rendered":"Lucas 3. 7-18"},"content":{"rendered":"<h3><strong>A DEMANDA \u00c9TICA DO ADVENTO | PR\u00c9DICA PARA O 3\u00ba DO,MINGO DE ADVENTO | 12 de dezembro de 2021 | Texto b\u00edblico: Lucas3. 7-18 |\u00a0 Felipe Gustavo Koch Butelli |<\/strong><\/h3>\n<p>Que a gra\u00e7a do nosso amigo e irm\u00e3o Jesus, o amor de Deus criador e mantenedor da vida e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito de sabedoria e coragem estejam com voc\u00ea. Am\u00e9m<\/p>\n<p>Caras irm\u00e3s e caros irm\u00e3os,<\/p>\n<p>Advento \u00e9 tempo precioso em nossas vidas. \u00c9 tempo de enfeitar a casa, tempo de ouvir hinos de Natal que lembram da nossa inf\u00e2ncia, da espiritualidade vivida em fam\u00edlia. Tempo de pensar sobre nossas vidas e gestar, de preparar um novo ano, que simbolizamos na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 com a chegada do infante Jesus, revela\u00e7\u00e3o de Deus em nossas vidas. \u00c9 tempo de contempla\u00e7\u00e3o, de sil\u00eancio, de procurar se reconciliar para os reencontros nas festas de fam\u00edlia. Tempo em que avaliamos o ano que passou e que pensamos no que queremos para nossa vida no ano que segue, oportunidade de deixar para tr\u00e1s aquilo do que nos arrependemos e de encontrar energia e for\u00e7a para realizarmos aquilo que mais desejamos para nossas vidas.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que neste tempo pand\u00eamico, e precisamos lembrar que ainda vigora uma perigosa pandemia que ceifa muitas vidas, tem sido dif\u00edcil planejarmos muitas coisas. Muitas pessoas ainda permanecem em estado vigilante e possivelmente n\u00e3o poder\u00e3o reencontrar pessoas queridas. Por isso, vivemos Advento novamente, pelo segundo ano, em condi\u00e7\u00f5es diferentes, que tendem a projetar nossa experi\u00eancia de Advento para dentro das nossas casas, para nossa individualidade, sen\u00e3o para nossa solid\u00e3o. Sobretudo se considerarmos quantas pessoas perderam seus entes queridos. Nossa sociedade como um todo vive ainda em um luto pelo impacto devastador desta pandemia em nossas vidas. Digamos assim, estamos vivendo um Natal mais solit\u00e1rio do que costumamos nos recordar.<\/p>\n<p>Mas para al\u00e9m da pandemia, outros fatores culturais t\u00eam continuamente operado para a constru\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia de Advento e Natal muito individualizada. \u00c9 fato que vivemos em um dos per\u00edodos da hist\u00f3ria em que h\u00e1 maior aprofundamento numa cultura individualista, que hoje se radicaliza, tamb\u00e9m pelas caracter\u00edsticas sociais e econ\u00f4micas do nosso tempo presente, em um capitalismo extremamente consumista, hedonista, individualizante que constitui uma sociedade profundamente desigual e injusta. Neste contexto, a tend\u00eancia individualizante do Advento \u2013 na minha casa e com a minha fam\u00edlia \u2013 se sedimenta na nossa cultura. \u00c9 muito mais um Natal solit\u00e1rio do que solid\u00e1rio,\u00a0 por dizer assim. Nossas preocupa\u00e7\u00f5es voltam-se para dentro, enquanto nos distanciamos de um olhar diaconal e solid\u00e1rio. E nem preciso aqui enfatizar que vivemos tempo de carestia: fome, mis\u00e9ria, desemprego, crise econ\u00f4mica e crescente desigualdade. Esta realidade est\u00e1 a\u00ed para n\u00f3s todas e todos vermos. Literalmente bate \u00e0 nossa porta. Somos cultural e socialmente condicionados \u2013 mas optamos por reafirmar esta cultura \u2013 a virar o rosto, olhar para o lado e fingir que nada est\u00e1 acontecendo. Acendemos as velas de Advento em nossa casa, enfeitamos nosso pinheiro, pensamos na nossa ceia e esquecemos que em muitos lares e muitas fam\u00edlias essa experi\u00eancia ser\u00e1 vivida com sofrimento, fome e muitas dificuldades.<\/p>\n<p>Da\u00ed me vem a pergunta: de que serve este Advento? Qual a serventia do an\u00fancio do nascimento de Deus no mundo? Ser\u00e1 que se presta apenas a individualmente renovar nossas energias, permitir o rein\u00edcio de um ciclo em que continuaremos vivendo como uma sociedade brutalmente violenta, excludente e desigual? O texto do evangelho de Lucas 3. 7-18 nos chama seriamente a problematizarmos essa realidade. Que Messias \u00e9 esse que vem, anunciado por Jo\u00e3o Batista? Como Jo\u00e3o nos convida a nos prepararmos para sua chegada? Jo\u00e3o Batista nos fala hoje duras palavras. Conclama a uma decis\u00e3o \u00e9tica e nos lembra que o Advento \u00e9, sim, um tempo de prepara\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o apenas uma prepara\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 nossa individualidade e nossa interioridade, mas sobretudo uma prepara\u00e7\u00e3o \u00e9tica e moral para vivermos de forma justa e igualit\u00e1ria externamente, como comunidade e sociedade.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista era um pregador peregrino, assim como seu primo Jesus. Sua vida dava testemunho constante de cr\u00edtica ao sistema religioso, cultural e social de seu tempo. Ele chamava as pessoas ao arrependimento e as batizava com \u00e1gua, como sinal da purifica\u00e7\u00e3o do mal e das injusti\u00e7as que as pessoas cometiam no seu cotidiano. Na sua conduta pessoal, na sua atividade profissional, na sua pr\u00e1tica religiosa. E Jo\u00e3o demonstra plena consci\u00eancia de que ele mesmo n\u00e3o era o Messias, mas preparava o caminho para aquele que viria, o Filho de Deus. E nos lembra: o ju\u00edzo que este Messias trar\u00e1 ser\u00e1 muito mais severo. Ser\u00e1 aquele que vai separar o joio da palha e jogar\u00e1 no fogo aqueles galhos que n\u00e3o produzem bons frutos. No seu discurso \u00e0s multid\u00f5es que o procuravam, Jo\u00e3o aponta para os m\u00faltiplos aspectos da vida social nos quais precisamos de arrependimento e convers\u00e3o, como forma de nos prepararmos para a vinda do Senhor.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 o religioso. Jo\u00e3o lembra que ningu\u00e9m possui a prerrogativa de se achar melhor do que os outros diante de Deus. Ningu\u00e9m pode se sentir privilegiado ou beneficiado simplesmente por pertencer a um grupo religioso, como \u00e9 o caso dos Judeus, que julgavam que por serem filhos de Abra\u00e3o n\u00e3o necessitavam se converter e se deixar batizar. Certamente um claro lembrete para n\u00f3s de que n\u00e3o h\u00e1 grupo religioso melhor ou mais correto que os outros. No fim das contas, o que importa \u00e9 a maneira como nos comportamos eticamente que mostra se somos filhas e filhos de Deus. Uma forte cr\u00edtica aos fundamentalistas religiosos de nosso tempo, que se julgam superiores, perseguem e violentam com intoler\u00e2ncia quem professa outra f\u00e9. Que querem impor sua pr\u00e1tica religiosa e seu c\u00f3digo de comportamento sobre os outros, at\u00e9 mesmo ocupando o poder e usando do Estado como forma de se impor na sociedade. Deus pode suscitar \u201cfilhos de Abra\u00e3o\u201d at\u00e9 das pedras. N\u00e3o podemos saber de onde vem a justi\u00e7a, boa e agrad\u00e1vel a Deus. Advento \u00e9 tempo de lembrar que n\u00e3o basta ser igreja fechada em si ou viver sua f\u00e9 entre as quatro paredes. Precisamos transformar o mundo, a partir da profunda transforma\u00e7\u00e3o \u00e9tica em n\u00f3s mesmas, n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>O segundo aspecto \u00e9 claramente um chamado \u00e0 justi\u00e7a social e econ\u00f4mica. Quem tiver duas t\u00fanicas, reparta. Quem tiver comida, reparta. Que lembrete importante para n\u00f3s. Como podemos viver advento e natal enquanto tantas pessoas passam fome. Temos sido comunidade solid\u00e1ria? Temos praticado a verdadeira diaconia transformadora da realidade social e econ\u00f4mica em nosso contexto de vida? Jo\u00e3o tamb\u00e9m responde aos questionamentos de um cobrador de impostos e de um soldado. E sua fala \u00e9 uma den\u00fancia \u00e0s pr\u00e1ticas corruptas de quem ocupava posi\u00e7\u00e3o de poder, seja econ\u00f4mico seja militar. Em um tempo em que os pobres viviam demasiadamente explorados por um imp\u00e9rio invasor que proporcionava a muitas pessoas enriquecerem atrav\u00e9s da corrup\u00e7\u00e3o. Poder\u00edamos dizer que ele estava pensando tamb\u00e9m em nossa realidade hoje. Na qual precisamos nos lembrar que a corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece apenas nos pal\u00e1cios e nas casas legislativas, mas \u00e9 um mal sedimentado em todas as nossas rela\u00e7\u00f5es. Devemos ser justos, \u00e9ticos e praticar o senso solid\u00e1rio da igualdade em todos \u00e2mbitos da nossa vida. Das fun\u00e7\u00f5es aparentemente mais insignificantes at\u00e9 os grandes cargos e postos de poder. Ledo engano pensarmos que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cprivil\u00e9gio\u201d de alguns pol\u00edticos ou de alguns partidos. Corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 mal end\u00eamico e a mudan\u00e7a cultural e social deve come\u00e7ar ali mesmo onde n\u00f3s estamos.<\/p>\n<p>Por fim, o texto nos indica que a mais grave cr\u00edtica de Jo\u00e3o Batista n\u00e3o foi religiosa nem sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas. Sua maior ofensa se deu quando levantou sua voz prof\u00e9tica e denunciou a imoralidade de seu governante. Esta foi t\u00e3o grave que custou-lhe a vida. Herodes acabou por mandar prend\u00ea-lo e, posteriormente, mat\u00e1-lo, o decapitando e servindo sua cabe\u00e7a na corte a sua esposa. Na verdade, hoje vivemos em um contexto semelhantemente amea\u00e7ador. Censura, amea\u00e7as e viol\u00eancia contra quem se ergue para denunciar as imoralidades e injusti\u00e7as dos governantes. O clima social e pol\u00edtico em nosso pa\u00eds \u00e9 t\u00e3o radicalizado e t\u00e3o polarizado que a igreja tem, de modo geral, covardemente sucumbido em sua tarefa prof\u00e9tica. \u00c9 certamente mais c\u00f4modo conclamar \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o. Mas como reconciliar uma sociedade t\u00e3o injusta e t\u00e3o desigual. Tempo de Advento, nos lembra Jo\u00e3o Batista, \u00e9, sim, tempo de denunciar os desvios morais e \u00e9ticos dos nossos governantes. Sejam eles quem forem. Estejam em nosso espectro ideol\u00f3gico ou n\u00e3o. Sejam do nosso partido ou n\u00e3o. Igreja que vive consequentemente o significado do advento e do natal \u00e9 igreja corajosa, que denuncia profeticamente a viol\u00eancia, a censura, a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a imoralidade na vida familiar e p\u00fablica de seus representantes, a corrup\u00e7\u00e3o. Talvez o peso desta denuncia seja a morte, a decapita\u00e7\u00e3o, a pris\u00e3o, a difama\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a persegui\u00e7\u00e3o, a perda do emprego. Foi assim com Jo\u00e3o Batista, aquele que preparou o caminho para a revela\u00e7\u00e3o de Deus, certamente deve ser assim conosco enquanto igreja, corpo de Cristo neste mundo.<\/p>\n<p>E nesta tarefa prof\u00e9tica e diaconal \u00e0 qual nos chama Jo\u00e3o, somos aben\u00e7oadas e aben\u00e7oados por uma promessa. Aquele que vem n\u00e3o batizar\u00e1 apenas com \u00e1gua, mas com esp\u00edrito e fogo. E aqui, em verdade, reside o nosso al\u00edvio. Porque n\u00f3s, enquanto membros da igreja de Jesus, somos batizados e batizadas em Cristo. Na \u00e1gua que purifica, que afoga o velho Ad\u00e3o que existe em n\u00f3s, mas tamb\u00e9m no Esp\u00edrito Santo, aquele que acende sobre nossas cabe\u00e7as as l\u00ednguas de fogo. N\u00f3s somos empoderadas e empoderados pelo pr\u00f3prio Esp\u00edrito de Deus a realizarmos esta tarefa prof\u00e9tica. \u00c9 Deus, em sua bondade, que acende esta chama em n\u00f3s. Chama que nos aquece e nos incendeia para que sejamos estas pessoas arrependidas, convertidas, renovadas, capazes de viver de acordo com a voca\u00e7\u00e3o \u00e9tica do Evangelho. \u00c9 o Esp\u00edrito de Deus que nos capacita a vivermos vida nova na nossa espiritualidade, na nossa pr\u00e1tica religiosa, nas nossas rela\u00e7\u00f5es sociais com irm\u00e3s e irm\u00e3os que passam fome e vivem nas margens da exclus\u00e3o. \u00c9 o Esp\u00edrito auxiliador que nos projeta para o mundo, para denunciarmos a injusti\u00e7a, a corrup\u00e7\u00e3o, a desigualdade. \u00c9 o Esp\u00edrito de Deus que nos capacita e nos encoraja a erguermos nossa voz e denunciarmos aqueles que est\u00e3o no poder e que imoralmente e injustamente conduzem nossa sociedade.<\/p>\n<p>Que n\u00f3s possamos neste Advento e Natal sair da nossa \u201cbolha\u201d de individualismo e indiferen\u00e7a, e que possamos corajosamente adentrar a nossa vida comunit\u00e1ria, social, o espa\u00e7o social e pol\u00edtico, vivendo como pessoas renovadas e transformadas, igreja corajosa, prof\u00e9tica e diaconal, capaz de contribuir para a edifica\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais igualit\u00e1rio, mais solid\u00e1rio. Que possamos ouvir em nossas vidas a demanda \u00e9tica que este tempo de advento nos apresenta.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e2mpada para meus p\u00e9s \u00e9 a tua Palavra, Senhor, e luz para o meu caminho\u201d. Am\u00e9m<\/p>\n<p>P. Dr. Felipe Gustavo Koch Butelli<\/p>\n<p>Goi\u00e2nia \u2013 Goi\u00e1s (Brasilien)<\/p>\n<p><a href=\"mailto:felipebuttelli@yahoo.com.br\"><em>felipebuttelli@yahoo.com.br<\/em><\/a><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A DEMANDA \u00c9TICA DO ADVENTO | PR\u00c9DICA PARA O 3\u00ba DO,MINGO DE ADVENTO | 12 de dezembro de 2021 | Texto b\u00edblico: Lucas3. 7-18 |\u00a0 Felipe Gustavo Koch Butelli | Que a gra\u00e7a do nosso amigo e irm\u00e3o Jesus, o amor de Deus criador e mantenedor da vida e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito de sabedoria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6354,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38,157,108,452,824,3,112,109],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-6385","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lukas","category-beitragende","category-current","category-felipe-gustavo-koch-butelli","category-kapitel-03-chapter-03-lukas","category-nt","category-port","category-predigten"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6385"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6385\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6396,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6385\/revisions\/6396"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6354"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6385"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=6385"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=6385"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=6385"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=6385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}