{"id":6746,"date":"2022-01-11T10:47:09","date_gmt":"2022-01-11T09:47:09","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=6746"},"modified":"2022-01-11T10:47:09","modified_gmt":"2022-01-11T09:47:09","slug":"isaias-62-1-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/isaias-62-1-5\/","title":{"rendered":"Isa\u00edas 62.1-5"},"content":{"rendered":"<h3>PR\u00c9DICA PARA O 2\u00b0 DOMINGO AP\u00d3S EPIFANIA \u2013 16.01.2022. | Isa\u00edas 62.1-5 | Hans Alfred Trein |<\/h3>\n<p>Cara Comunidade de Jesus Cristo,<\/p>\n<p>A passagem b\u00edblica nos transporta para o s\u00e9culo 6 antes de Cristo. Vamos mergulhar um pouco nesse tempo, para compreender bem, o que o nosso texto quer nos dizer.<\/p>\n<ol>\n<li>Depois de libertados da escravid\u00e3o no Egito, quase 8 s\u00e9culos antes, e de constituir-se como povo eleito de Deus, Israel acabava de passar pela experi\u00eancia mais terr\u00edvel da sua hist\u00f3ria at\u00e9 ali: seu templo tinha sido destru\u00eddo, Jerusal\u00e9m devastada, seus moradores deportados para o ex\u00edlio na Babil\u00f4nia. Naquele tempo, era comum que pa\u00edses militarmente mais fortes atacassem os mais fracos, para pilhar seus bens e escravizar o seu povo, sobrecarregando com pesados tributos eventuais estados vassalos. Desde a antiguidade, sempre h\u00e1 um imp\u00e9rio de plant\u00e3o, para oprimir e explorar as na\u00e7\u00f5es mais fracas. Hoje em dia, os imp\u00e9rios se constituem de formas mais sutis e diplom\u00e1ticas, oprimem pelo com\u00e9rcio, pelo financeirismo, pelos embargos&#8230; contam sempre com colaboracionistas nos pa\u00edses que exploram. Contudo, sempre tem o poderio militar aos fundos, para submeter quem n\u00e3o segue as regras que estabelecem, mesmo que para isso tenham que inventar mentiras, como a do g\u00e1s de exterm\u00ednio de massas, alguns anos atr\u00e1s.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Para Israel essa experi\u00eancia de ser derrotado e deportado de seu territ\u00f3rio sagrado era tamb\u00e9m uma derrota de seu Deus. Nas guerras de conquista da antiguidade, quem vencia era sinal, de que tinha o Deus mais forte. Ent\u00e3o, podemos muito bem imaginar que o povo de Israel, no ex\u00edlio, passou por uma grande crise de f\u00e9. Teve intenso sentimento de abandono, n\u00e3o tinha mais acesso ao seu local sagrado de culto. Ser\u00e1 que ainda cabia permanecer na f\u00e9 no seu Deus derrotado?<\/p>\n<p>Depois de 49 anos no ex\u00edlio, o imp\u00e9rio da P\u00e9rsia venceu o imp\u00e9rio da Babil\u00f4nia, e o imperador vitorioso, Ciro, liberou os israelitas para retornarem ao seu pa\u00eds. At\u00e9 ordenou e financiou a reconstru\u00e7\u00e3o do seu santu\u00e1rio e a devolu\u00e7\u00e3o do invent\u00e1rio do templo (Edito de Ciro em Esdras 6.3-5). O templo de Jerusal\u00e9m seria refeito como santu\u00e1rio estatal, como j\u00e1 fora nos tempos antes do ex\u00edlio num claro uso pol\u00edtico da religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Muita coisa tinha mudado nessa \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. Dos que voltaram, muitos tinham nascido no ex\u00edlio, s\u00f3 conheciam as tradi\u00e7\u00f5es de ouvir os mais velhos contar. O novo normal dentro da pol\u00edtica de toler\u00e2ncia do imp\u00e9rio persa precisava de muita criatividade. \u00c9 nesse contexto, j\u00e1 na terra de Jud\u00e1, que acontece a palavra prof\u00e9tica do terceiro bloco (55-66) creditado a Isa\u00edas. O retorno dos exilados j\u00e1 ocorrera, mas n\u00e3o trouxera consigo a plenitude salv\u00edfica anunciada pelo segundo bloco de Isa\u00edas (40-55). O novo normal era de inseguran\u00e7a, perigos e grande car\u00eancia. Havia muita frustra\u00e7\u00e3o e des\u00e2nimo. A reconstru\u00e7\u00e3o do templo ficou parada por 18 anos. Al\u00e9m disso, a d\u00favida maior: Deus ainda estava a\u00ed? O povo de Israel ainda era o seu povo eleito?<\/p>\n<p>Vamos ouvir novamente o texto:<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Deus interv\u00e9m. Segundo a B\u00edblia, a iniciativa \u00e9 sempre dEle. Est\u00e1 vendo a desola\u00e7\u00e3o e conclui: esse pessoal n\u00e3o vai conseguir se levantar por conta pr\u00f3pria. Decide interferir com \u201cseu pr\u00f3prio bra\u00e7o\u201d e \u201csua pr\u00f3pria justi\u00e7a\u201d. A motiva\u00e7\u00e3o? Por amor a Si\u00e3o (o monte do templo) e Jerusal\u00e9m que representam simbolicamente todo o povo. Se ele n\u00e3o intervir, a sobreviv\u00eancia de Israel estar\u00e1 a perigo. O objetivo dessa interven\u00e7\u00e3o \u00e9 dar o pontap\u00e9 inicial, \u201cat\u00e9 que saia a sua justi\u00e7a (de Israel) como um resplendor e a sua salva\u00e7\u00e3o como uma tocha acesa\u201d para que todos, inclusive povos estranhos, possam ver. Ser luz para as na\u00e7\u00f5es, luz para os gentios. Essa \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o do povo de Deus (42.6; 49.6; Lc 2.32; At 13.47): construir uma sociedade modelo, na qual outras na\u00e7\u00f5es possam se espelhar. Pois um reino dividido em si mesmo \u00e9 um reino enfraquecido; n\u00e3o subsistir\u00e1 \u00e0 domina\u00e7\u00e3o. Por falta de justi\u00e7a, ou seja, vida digna para todos, Israel foi derrotado e foi parar no ex\u00edlio. Isa\u00edas 1.21-23 o descreve de forma muito clara:<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u201cComo se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de justi\u00e7a! Nela habitava a retid\u00e3o, mas, agora, homicidas&#8230; Os teus pr\u00edncipes s\u00e3o rebeldes e companheiros de ladr\u00f5es; cada um deles ama o suborno e corre atr\u00e1s de recompensas. N\u00e3o defendem o direito do \u00f3rf\u00e3o, e n\u00e3o chega perante eles a causa das vi\u00favas&#8230;\u201d<\/p>\n<p>S\u00f3 depois de feita uma profunda limpeza de toda a esc\u00f3ria, \u201cchamar\u00e3o a (Jerusal\u00e9m novamente) cidade de justi\u00e7a, cidade fiel\u201d (Is 1.26). Esse vers\u00edculo expressa a esperan\u00e7a para depois do ex\u00edlio. Com as devidas atualiza\u00e7\u00f5es, qualquer semelhan\u00e7a com a realidade que conhecemos, n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>Conseguir se reconstruir s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com justi\u00e7a, condi\u00e7\u00f5es de vida digna para todos, e isso resultar\u00e1 em salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas para Israel, mas at\u00e9 as extremidades da terra (49.6). Inclusive implicar\u00e1 na mudan\u00e7a de identidade: Israel ser\u00e1 como um povo novo. Deus lhe promete um novo nome. Como uma coroa de ornamento, Israel ser\u00e1 admirado pelas outras na\u00e7\u00f5es. Como uma joia preciosa, um diadema real, aparecer\u00e1 abrigado e protegido na m\u00e3o do seu Deus.<\/p>\n<p>Um problema s\u00e9rio daquele tempo precisava ser resolvido: a cidade vivia explorando o campo. Isso gerava injusti\u00e7a, opress\u00e3o, desigualdade. Em Jerusal\u00e9m vivia o rei e sua corte, as for\u00e7as armadas, os funcion\u00e1rios e sacerdotes do templo e servi\u00e7ais. A cidade praticamente n\u00e3o produzia nada, al\u00e9m de alguns raros artes\u00e3os. A cidade vivia do que se produzia no campo. Essa rela\u00e7\u00e3o era marcada pela extra\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a. Por isso, tamb\u00e9m essa rela\u00e7\u00e3o tinha que passar por uma profunda mudan\u00e7a, ser semelhante a uma rela\u00e7\u00e3o matrimonial, harmoniosa e respons\u00e1vel. O vers\u00edculo 8 registra:<\/p>\n<p>\u201cNunca mais darei o seu trigo como alimento aos inimigos; nunca mais os estrangeiros beber\u00e3o o vinho que tanto trabalho custou a voc\u00ea. Pelo contr\u00e1rio, quem colher o trigo tamb\u00e9m o comer\u00e1, louvando a Jav\u00e9; quem colher as uvas, tamb\u00e9m beber\u00e1 o vinho nos \u00e1trios do meu santu\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>A <em>economia de Deus<\/em> \u00e9 uma economia de gratuidade e sufici\u00eancia. Todos os povos s\u00e3o convidados a participar desse tipo de economia que n\u00e3o \u00e9 mais uma \u201ccamisa de for\u00e7a\u201d de uns sobre os outros, nem de um pa\u00eds sobre outro, mas gratuidade de Deus. O PIB do Brasil, dividido pela popula\u00e7\u00e3o brasileira daria um ingresso m\u00e9dio de R$ 11.000,00 reais por fam\u00edlia de 4 pessoas. Organizar a economia de tal forma que todos possam participar, essa \u00e9 a nossa tarefa primordial, com a qual estaremos dando o maior louvor a Deus.<\/p>\n<p>Tr\u00eas cap\u00edtulos adiante o profeta descreve a sua vis\u00e3o em mais detalhes:<\/p>\n<p>\u201cEdificar\u00e3o casas e nelas habitar\u00e3o; plantar\u00e3o vinhas e comer\u00e3o dos seus frutos; n\u00e3o edificar\u00e3o para que outros habitem; n\u00e3o plantar\u00e3o para que outros comam\u201d (65.21s).<\/p>\n<p>N\u00e3o trabalhar\u00e3o por um sal\u00e1rio miser\u00e1vel, (com uma seguridade social precarizada), nem ter\u00e3o filhos para a calamidade (23 a+b). Nunca mais chamar\u00e3o Jerusal\u00e9m de desamparada, nem o campo de desolado.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>O que podemos aprender dessa passagem b\u00edblica? Algo que n\u00e3o seja apenas uma hist\u00f3ria curiosa do passado, mas algo que seja importante para n\u00f3s, hoje:<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>O pa\u00eds modelo para as outras na\u00e7\u00f5es, nunca se realizou. A aspira\u00e7\u00e3o de s\u00ea-lo, como o reino milenar pretendido por Hitler, resultou num grande fiasco desumano; O <em>american way of life,<\/em> propagado por quem se considera atualmente o povo escolhido de Deus, ainda vai levar nosso planeta \u00e0 ru\u00edna.<\/li>\n<li>Embora tenhamos que lutar por melhorias nas pol\u00edticas p\u00fablicas, na\u00e7\u00f5es, organizadas como sociedades de Estado, nunca realizar\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o de modelos de justi\u00e7a para outras na\u00e7\u00f5es, pois s\u00e3o marcados por s\u00e9rios v\u00edcios de origem, viol\u00eancia e imposi\u00e7\u00e3o militar, corrup\u00e7\u00e3o e interesses corporativos em sua realiza\u00e7\u00e3o. O Estado ideal \u00e9 um sonho, um desejo ardente, mas est\u00e1 fora da hist\u00f3ria. Rep\u00fablica \u00e9 menos ruim do que monarquia. \u201c&#8230;democracia \u00e9 a pior forma de governo, salvo todas as demais que t\u00eam sido experimentadas de tempos em tempos&#8230;\u201d (Winston Churchill). A sociedade de Estado precisa ser superada! Jesus pregou o Reino de Deus.<\/li>\n<li>Jesus pode ser entendido como o servo sofredor profetizado por Isa\u00edas. Ele \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o de Deus, promessa cumprida com datas, lugares e nomes. Assim o velho Sime\u00e3o o reconheceu em Lucas 2.32. Assim o pr\u00f3prio Jesus afirmou que se cumpriam as profecias de Isa\u00edas, quando leu o cap\u00edtulo 61, na sinagoga de Nazar\u00e9 (Lc 4.21).<\/li>\n<li>O profeta Isa\u00edas ainda sonhava com uma na\u00e7\u00e3o-modelo. Jesus \u00e9, num grau jamais sonhado pelo profeta, a interven\u00e7\u00e3o cabal de Deus para o seu povo que agora n\u00e3o se resume mais ao povo de Israel, mas \u00e9 ampliado para toda a humanidade. Talvez por isso, o novo nome.<\/li>\n<li>As comunidades crist\u00e3s poderiam assumir a tarefa de organizar, em grupos limitados, uma conviv\u00eancia econ\u00f4mica- e socialmente justa, ambientalmente sustent\u00e1vel, reconciliada e amorosa, para servir de modelo a outros grupos ou \u201ctribos\u201d modernas. As comunidades crist\u00e3s primitivas conseguiram exemplificar isso, como descrito em Atos 2 e 4. Para isso, tem de inspirar-se em Jesus, sua humildade, seus valores e sua confian\u00e7a no Deus Pai e tem de desistir do individualismo exacerbado originado, como efeito colateral, pela produ\u00e7\u00e3o industrial.<\/li>\n<li>Como demonstraram as comunidades de algumas favelas durante a pandemia: \u00e9 poss\u00edvel sobreviver melhor, do que disputar individualmente carca\u00e7as e ossos, quando a gente empobrecida se une e compartilha o pouco que tem. J\u00e1 das classes m\u00e9dias e ricas \u00e9 mais dif\u00edcil esperar esse compartilhamento, como j\u00e1 dizia o pr\u00f3prio Jesus.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Como nos tempos de Isa\u00edas, temos urg\u00eancia. N\u00e3o percamos mais tempo!<\/p>\n<p>Am\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>\u00a0&#8212;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sugest\u00e3o de C\u00e2nticos:<\/strong><\/p>\n<p>HPD I 160 Cantai ao Senhor, um c\u00e2ntico novo<\/p>\n<p>LCI 176 Dizei aos cativos sa\u00ed (HPD II 435)<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>P. Me. Hans Alfred Trein<\/p>\n<p>S\u00e3o Leopoldo \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/p>\n<p><a href=\"mailto:hansatrein@gmail.com\">hansatrein@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA O 2\u00b0 DOMINGO AP\u00d3S EPIFANIA \u2013 16.01.2022. | Isa\u00edas 62.1-5 | Hans Alfred Trein | Cara Comunidade de Jesus Cristo, A passagem b\u00edblica nos transporta para o s\u00e9culo 6 antes de Cristo. 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