{"id":7118,"date":"2022-02-25T12:47:31","date_gmt":"2022-02-25T11:47:31","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=7118"},"modified":"2022-03-16T00:23:37","modified_gmt":"2022-03-15T23:23:37","slug":"joel-2-1-2-12-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/joel-2-1-2-12-17\/","title":{"rendered":"Joel 2.1-2, 12-17"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>PR\u00c9DICA PARA A QUARTA-FEIRA DE CINZAS | 2 de mar\u00e7o de 2022 | Joel 2.1-2, 12-17 | Carlos Arthur Dreher | <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A gra\u00e7a e nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo estejam com todos n\u00f3s. Am\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Querida Comunidade!<\/p>\n\n\n\n<p>Foi-se a folia! Acabou-se o nosso carnaval! Come\u00e7ou o per\u00edodo de penit\u00eancia e de reflex\u00e3o nesta Quarta-Feira de Cinzas e este se estende at\u00e9 o s\u00e1bado antes do Domingo de P\u00e1scoa, tempo que chamamos de Quaresma.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, por que \u201ccinzas\u201d? Desde muito cedo, em Israel, as cinzas foram um sinal de penit\u00eancia, de arrependimento, ou tamb\u00e9m de lamenta\u00e7\u00e3o diante de Deus. Assim, por exemplo, em 1Rs 21, lemos que, ap\u00f3s ser duramente repreendido por Elias, o rei Acabe rasga suas vestes, cobre-se de pano de saco e jejua, humilhando-se diante de Deus e buscando seu perd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim tamb\u00e9m J\u00f3 (J\u00f3 1.30; 2.8), ap\u00f3s perder todos os seus bens, inclusive seus filhos e sua filhas, rasga seu manto, raspa sua cabe\u00e7a, lan\u00e7a-se em terra e senta-se em cinzas. Em Jonas 3.5s, os ninivitas, inclusive o seu rei, proclamam um jejum, vestem-se de panos de saco e se assentam sobre cinzas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Igreja assumiu essa tradi\u00e7\u00e3o. A partir do s\u00e9culo VII, j\u00e1 se conhece a Quarta-Feira de Cinzas como o in\u00edcio da Quaresma, o per\u00edodo de jejum que antecede a P\u00e1scoa. \u00c9 tempo de penit\u00eancia, em prepara\u00e7\u00e3o \u00e0 festa da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Quarta-Feira de Cinzas, os penitentes s\u00e3o vestidos com roupas penitenciais, cobertos de cinzas. A partir do s\u00e9culo X, passa-se a consagrar as cinzas. Mais tarde, em torno de 1090, cl\u00e9rigos e leigos s\u00e3o marcados na testa com uma cruz feita de cinzas obtidas de ramos guardados desde o Domingo de Ramos do ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>De algo semelhante, mas diferente, nos fala o texto previsto para a prega\u00e7\u00e3o no dia de hoje. Ou\u00e7amos o que diz a palavra de Joel 2.1-2, 12-17:<\/p>\n\n\n\n<p>(Leitura do texto)<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco sabemos de Joel, filho de Petuel. N\u00e3o h\u00e1 maiores informa\u00e7\u00f5es do que aquelas que podemos deduzir de seu livro. Joel j\u00e1 est\u00e1 al\u00e9m da profecia. Situa-se na apocal\u00edptica, na qual \u00e9 t\u00edpico utilizar linguagem simb\u00f3lica, muitas vezes indecifr\u00e1vel. \u00c9 prov\u00e1vel que se situe na \u00e9poca ap\u00f3s Esdras e Neemias, isto \u00e9, na primeira metade do s\u00e9culo IV a.C.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu livro descreve uma praga de gafanhotos arrasadora (cap. 1). Ser\u00e1 real? Ou a alus\u00e3o a um invasor que assalta a terra?&nbsp; Ser\u00e3o j\u00e1 os gregos que invadem a Palestina a partir de 333 a. C.? Cap. 2, onde se situa nosso texto, faz soar a trombeta em Si\u00e3o\/Jerusal\u00e9m diante do ataque de um povo grande, ou seja, um forte ex\u00e9rcito. Tudo isto, porque o Dia do Senhor j\u00e1 est\u00e1 pr\u00f3ximo!<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de \u201cDia do Senhor\u201d \u00e9 bastante antigo. Remonta ao tempo dos Ju\u00edzes, ainda antes da monarquia em Israel. Ali designa o dia em que o Senhor vem ajudar seu povo na luta contra seus inimigos. Mais tarde, j\u00e1 no profeta Am\u00f3s, o \u201cDia do Senhor\u201d \u00e9 entendido como o dia em que Deus vem fazer justi\u00e7a em meio a seu povo, voltando-se contra os senhores do poder que humilham e maltratam os pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Joel, o \u201cDia do Senhor\u201d \u00e9 visto como o momento em que um poderoso ex\u00e9rcito inimigo invade a terra e vai destruindo tudo. O texto interpreta esta cat\u00e1strofe como castigo de Deus!<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do terror que se instaura, Deus mesmo fala a seu povo: \u201cConvertei-vos a mim de todo o vosso cora\u00e7\u00e3o!\u201d \u00c9 o chamado \u00e0 penit\u00eancia. Por\u00e9m, desta vez essa penit\u00eancia tem um car\u00e1ter um tanto diferente: \u201cIsso com jejuns, com choro e pranto. Rasgai o vosso cora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa penit\u00eancia, jejum e lamento est\u00e3o presentes, mas n\u00e3o mais as vestes rasgadas, o vestir-se de panos de saco, nem o assentar-se sobre cinzas. O que vale \u00e9 a convers\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o: \u201cRasgai o vosso cora\u00e7\u00e3o!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A penit\u00eancia n\u00e3o se faz com ritos! Faz-se com arrependimento sincero, de cora\u00e7\u00e3o. Faz-se quando as pessoas reconhecem verdadeiramente seus erros, seu pecado, e se disp\u00f5em a uma nova vida com Deus!<\/p>\n\n\n\n<p>***********<\/p>\n\n\n\n<p>Foi-se a folia! Acabou-se o nosso carnaval! Come\u00e7ou o per\u00edodo de penit\u00eancia e de reflex\u00e3o nesta Quarta-Feira de Cinzas, e este se estende at\u00e9 o s\u00e1bado antes do Domingo de P\u00e1scoa, tempo que chamamos de Quaresma.<\/p>\n\n\n\n<p>A Quaresma tem quarenta dias. Contudo, se olhamos o calend\u00e1rio, vamos ver que s\u00e3o alguns dias a mais. Como assim?<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossa conta, precisamos descontar os domingos. Afinal, n\u00e3o podemos jejuar no dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o! O dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 dia de alegria! Por isto, interrompemos o jejum no fim do s\u00e1bado, para retom\u00e1-lo no fim do domingo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela tradi\u00e7\u00e3o judaica, o dia come\u00e7a quando surgem as tr\u00eas primeiras estrelas no c\u00e9u. Isto significa que o domingo inicia por volta de seis horas da tarde de s\u00e1bado. De a\u00ed at\u00e9 as seis horas da tarde de domingo, o jejum est\u00e1 suspenso! \u00c9 poss\u00edvel festejar, celebrar a partir das seis horas da tarde de s\u00e1bado, retomando o jejum \u00e0s seis horas da tarde de domingo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, \u00e9 importante lembrar que o jejum tem um car\u00e1ter social. N\u00e3o \u00e9 dieta ou regime para emagrecer, nem tampouco uma maneira de maltratar o corpo ou de sofrer. Jejuar \u00e9 abster-se de comer e de beber algo, para dar a parte correspondente \u00e0s pessoas que passam fome ou sede. Jejuo para ajudar o pr\u00f3ximo, para dar-lhe algo que comer. Jejuar \u00e9 privar-se de algumas coisas para ir de pouco a pouco montando cestas b\u00e1sicas para os pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Certa vez ouvi de algu\u00e9m que em um certo bairro pobre de Porto Alegre fam\u00edlias negras fazem churrasco na Sexta-Feira Santa. Sacril\u00e9gio? N\u00e3o. \u00c9 a lembran\u00e7a de que, nos tempos da escravid\u00e3o, os senhores brancos jejuavam e davam a carne que comeriam normalmente para seus escravos que, ent\u00e3o, podiam alegrar-se comendo fartamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Que a Quarta-Feira de Cinzas nos estimule a pr\u00e1ticas de solidariedade com os famintos! Nada de cinzas, de roupas rasgadas ou de outros ritos sem significado, mas o convite \u00e0 pr\u00e1tica da solidariedade. Que Deus nos ajude e encoraje para isto!<\/p>\n\n\n\n<p>Am\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<p>P. Dr. Carlos Arthur Dreher<\/p>\n\n\n\n<p>Novo Hamburgo \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"mailto:carlos.arthur.dreher@gmail.com\">carlos.arthur.dreher@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA A QUARTA-FEIRA DE CINZAS | 2 de mar\u00e7o de 2022 | Joel 2.1-2, 12-17 | Carlos Arthur Dreher | A gra\u00e7a e nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo estejam com todos n\u00f3s. Am\u00e9m. Querida Comunidade! Foi-se a folia! Acabou-se o nosso carnaval! Come\u00e7ou o per\u00edodo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7094,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27,2,157,853,747,108,189,112,109],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-7118","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-joel","category-at","category-beitragende","category-bibel","category-carlos-a-dreher","category-current","category-kapitel-2-chapter-2-joel","category-port","category-predigten"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7118"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7118\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7408,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7118\/revisions\/7408"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7094"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7118"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=7118"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=7118"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=7118"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=7118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}